Leituras Verdes para uma Escola da Natureza: As 72 microestações da Gandra
Leituras Verdes para uma escola da Natureza: As 72 Estações da Gandra decorre do projeto de agrupamento Escola da Natureza e inspira-se na tradição japonesa e no trabalho britânico Nature's Calendar - The British Year In 72 Seasons (Chapman, Ellender, Warren & Jaines, 2023).
Selecionamos esta atividade para destacar no âmbito do projeto a ler mais e melhor 2026 (RBE) atendendo às potencialidades que lhe fomos encontrando ao longo do ano, ao envolvimento de competências e literacias múltiplas, com destaque para a leitura, escrita e pensamento crítico, e pela facilidade de replicação ou adaptação por outras escolas ou outros contextos educativios.
| Diferentes discursos, intencionalidades e materialidades estiveram na base da seleção de obras de cunho ambiental trabalhadas no âmbito do projeto. |
Esta ação consistiu num exercício de observação e registo escrito diários de mudanças na paisagem circundante. Desenvolvida com uma turma de 3.º ano com orientação da professora titular de turma, teve início a 25 de setembro 2025 e prolonga-se até 24 de setembro de 2026. O objetivo é identificar 72 microestações do ano na freguesia onde se situa a escola: São Martinho da Gandra.
A iniciativa operacionaliza-se em quatro etapas:
1) Diariamente e individualmente, é feito um registo de observações da paisagem pelos alunos (em fins de semana e pausas letivas o registo é feito em casa);
2) A cada quatro dias é realizado um plenário de turma para partilha das observações e apuramento de um nome para a microestação correspondente àquele período de tempo;
| Os plenários implicam o uso de competências cidadãs que passam pelo saber ouvir, saber estar, respeitar opiniões e aceitar a diferença. |
3) A síntese da partilha e o nome apurado são registados em documento criado para o efeito, que é afixado na sala de aula;
4) Autonomamente, e recorrendo a diferentes técnicas observadas nas obras de literatura infantil, os alunos ilustram cada uma das microestações e colocam a ilustração junto ao documento respetivo.
Este trabalho foi sendo acompanhado de sessões de "leituras verdes" com os alunos, realizadas em colaboração com a Professora Bibliotecária, onde foram exploradas obras com diferentes intencionalidades, discursos e materialidades, e ainda de sessões formativas, de caráter informal, junto dos docentes da escola, tendo integrado também a jornada formativa de intercâmbio de boas práticas com o colégio Rasalia de Castro (Xinzo de Límia) em novembro passado.
| Consideramos que a formação docente é a base de um bom trabalho. Nestas sessões, que têm por objetivo dar a conhecer as representações do ambiente e o lugar da ecocrítica na literatura infantil, aproveitamos para explorar algumas estratégias de abordagem ao nível da educação literária. Na imagem podemos ver diferentes recortes da formação levada a efeito na EB de Gandra e na EB da Feitosa. |
No mês de maio, sob a forma de "recorte", o trabalho foi apresentado na Feira da Educação, Ciência e Tecnologia de Ponte de Lima e em junho integrou a mesa de partilha de boas práticas das Jornadas António Feijó.
A professora Ana Margarida Silva, que agarrou esta iniciativa e a tem dinamizado junto da sua turma de 3.º ano, antes da distribuição de tarefas para as férias grandes (pois o registo tem de continuar) fez uma entrevista aos alunos, no sentido de melhor compreender o modo como se sentiam em relação ao projeto. Entre aquilo que consideram mais desafiante (como a escolha dos títulos que obriga à rejeição de ideias) e mais motivador, deixamos aqui algumas das respostas a uma das últimas questões "Gostas de participar nesta atividade? Porquê?"
Sim, porque é espetacular e nós sentimos melhor a Natureza e temos maior contacto com a Natureza. (SF)
Sim, porque é divertido. (Y)
Sim, porque antes olhávamos para uma árvore e era só uma árvore e agora é a Natureza. (F)
Sim, porque gosto de trabalhar em grupo (SC)
Sim, porque não sei explicar muito bem. Porque cada vez estamos a conhecer mais sobre a natureza e isso é magnífico. (E)
Sim, antes não olhávamos muito para a natureza e agora começamos a olhar mais. (M).

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